sexta-feira, 6 de maio de 2011

DO ALTO AO AUTO, ARAUTO DE ALGUMA ESPERANÇA





DO ALTO AO AUTO, ARAUTO DE ALGUMA ESPERANÇA

Salto de blog em blog e não encontro nenhuma resposta, nenhuma explicação concreta para a não realização do Auto de Santa Rita de Cássia, cujas duas edições, custando cada uma, mais de R$ 200 mil reais, eu e muitas outras pessoas fomos assistir no pátio da matriz.
No blog da paróquia, a prioridade das matérias recaem sobre a recente beatificação do Papa João Paulo II. A postagem do dia 30 de abril apresenta a programação religiosa e cultural da festa da Padroeira, mas de apresentação teatral, encontramos apenas O Mágico de Oz e nenhum comentário sobre as razões da ausência do auto de Santa Rita na programação deste ano de 2011.
No Blog da Voz Amiga, do secretário de cultura Iranilson Silva, nenhuma nota a respeito, assim como no site da Prefeitura Municipal, na parte reservada à pasta de Cultura, o silêncio sobre o tema permanece. Como silenciosa está também a formação do Conselho Municipal de Cultura, há tantos anos reivindicada e que vem sendo de data em data, protelada.
Uma visitinha ao site da Fundação José Augusto e descubro que este se encontra parado no tempo e no espaço, sem qualquer atualização desde a posse da atual gestão, quanto mais um menção ao Auto de Santa Rita. Será o impossível?
Nos demais blogs, especulações de uns, desânimo de outros, e a responsabilidade quase posta no colo das novas gestoras da Casa de Cultura, o que seria obviamente uma grade injustiça para com as duas. Ora, se o governo do estado, através da FJA não tem condições financeiras de bancar o auto, por que razão não diz claramente? Por que não apresentou uma proposta mais viável? A mim, sempre me pareceu um absurdo o valor gasto com o auto. Note-se que as duas edições, que ao todo duraram 4 dias de apresentações, consumiram a soma de mais de 4oo mil reais, ou seja, quase 10% do que custou todo o santuário, chamado também de alto, só que com L. Será que algum blogueiro de nossa cidade ou da região tem acesso à nova gestora da cultura estadual, a senhora Izaura Rosado, para corajosamente indagar-lhe uma resposta oficial sobre o caso? Quais foram as ações conjuntas, refiro-me à Prefeitura Municipal (Secretaria de Turismo e de Cultura) e à Paróquia local para viabilizar a terceira edição do auto, já que nos anos anteriores a propaganda alardeava com pompas e circunstâncias que o auto já estava consolidado como uma tradição de nossa festa maior? A tradição sofrerá solução de continuidade, por quê? Inaugurar-se-á uma nova tradição de realização do auto em outra data? Quem pode responder esta questão? A acessória de imprensa da prefeitura, tão ágil em explicar a destruição de uma ou duas algarobas, das várias já destruídas em nossa cidade, teria a resposta?
Então, para além dos que são religiosos, sejamos um pouco racionais. O Auto de Santa Rita embeleza a programação da festa? Não só embeleza, como emociona, como instrui, como atrai o turismo, forma atores e público espectador. Portanto, se justifica, claro! Mas a que custo? Novos R$ 200 mil reais? E onde é que está todo o figurino comprado e utilizado nos dois autos anteriores? Tem sempre que renovar o guarda-roupa de um ano para o outro? O texto não é o mesmo e já não estão todas as vozes dos personagens, devidamente gravadas? E os adereços utilizados nos cenários, desapareceram? O palco e o sistema de som têm que custar tão caro? O grupo de atores, a maioria deles de nossa terra, já não tem um considerável know-how acumulado? Tenho certeza de que sim. Toda a parte musical também já não está composta? E se não estivesse, estou certo de que o maestro Camilo a comporia por muito menos do que foi gasto nas outras edições. E na urgência, como alternativa, ainda teríamos a utilização da música sacra de domínio público, sem falar na Banda de Música ou no coral de Santa Rita para acompanhamento e apoteose final do espetáculo.
Por tudo isso, não entendo a interrupção; não encontro as respostas oficiais, e penso, como acima expus, que não seria uma causa impossível fazê-lo de uma outra maneira, de forma mais econômica e inteligente, contando sobretudo com a solidariedade do povo santacruzense, tão fervoroso em sua fé.

Santa Cruz-RN, 03-05-2011.

Marcos Cavalcanti
FONTE: http://wsantacruz.com.br/2011/05/05/de-marcos-cavalcanti-do-alto-ao-auto-arauto-de-alguma-esperanca/

2 comentários:

  1. Marcos,

    Perdoe-me a sinceridade: não sabia que existia o Blog da ASPE. Por esse motivo, afirmei, em recente texto, que sentia falta de um espaço na internet elaborado por você. Agora estou satisfeito, pois sei que poderemos dialogar aqui sobre as pérolas que você sempre nos concede. Afinal o mundo está muito embotado, com muita gente reproduzindo muito, e pouca gente, como você, realmente pensando.

    Sucesso!

    Do amigo e leitor,

    Teixeirinha

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  2. Marcos Cavalcanti14 de maio de 2011 17:27

    Meu caro Teixeirinha, eu não tenho competência para isso não. O Blog da ASPE é elaborado pelo nosso Amigo Gilberto. Eu não sei e nem posso colocar um texto diretamente, mas o Gilberto está sempre pronto a atualizá-lo. Pense num cabra dinâmico!!!

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