sábado, 28 de maio de 2011
Poesias de Marcos em Vídeo
domingo, 15 de maio de 2011
UM FLASH DE LUZ SOBRE A LEGALIDADE QUE VEM DO ALTO, por Marcos Cavalcanti
MAI14
Postado por Wallace Maxsuel em Santa Cruz | 1 comentário
O caso do fotógrafo Leonardo Luciano, proibido de fotografar no Santuário de Santa Rita de Cássia pela “administração do complexo turístico”, sob o argumento de que ninguém está autorizado a comercializar no local, sem permissão, a não ser que para tanto pague um percentual à igreja, revela-nos muito mais do que a primeira vista pode parecer. Tentemos compreender o “não dito” sob uma ótica racional, e tanto quanto possível, de maneira imparcial e desapaixonada, face a tudo o que envolve tão relevante questão.
Em primeiro lugar, como é de todos sabido, o Alto de Santa Rita foi construído com o dinheiro público, portanto, é resultado do bolso de todos nós, contribuintes daqui e de alhures, sejam protestantes, católicos, ateus, budistas, umbandistas, etc . Eis aí o primeiro problema legal: num estado verdadeiramente laico, em nenhuma hipótese o dinheiro público seria liberado para beneficiar quaisquer que fosse a instituição religiosa. Muito bem! Explicitado isto, o principal argumento em contrário é o de que o Complexo foi pensado para favorecer o desenvolvimento da economia local e regional através do turismo (na modalidade religioso), que em certa medida seria justificável se os recursos públicos tivessem sido acessórios, ou seja, apenas para viabilizar a pavimentação do acesso, a energia elétrica, as questões sanitárias e ambientais que envolvem a obra, ficando a escultura, a capela e outros espaços de rito, por conta da instituição religiosa. Não é o caso.
Principalmente durante a Idade Média, a igreja católica construiu a sua riqueza e o seu poder através da ligação intrínseca que mantinha com a nobreza (detentora do poder político e econômico), o que lhe permitiu um papel relevante no chamado mecenato cultural, financiando obras de arte e monumentos que continuam sendo por sua beleza, por sua perfeição ou grandiosidade, razão de atração turística em vários lugares do mundo. De volta a nossa contemporaneidade, a imagem que ganhou forma através das mãos do artista Alexandre Azedo, foi inteiramente patrocinada por entes públicos (União, Estado e Município). Eis os seus verdadeiros mecenas. Nenhum tostão da igreja foi gasto, mas é certo também que a sua forte influência foi importante na luta pela liberação dos recursos. É verdade ainda que a imagem que se explora ou que é explorada faz parte da simbologia ou do patrimônio católico, pois foi esta instituição que a legitimou, consagrando-a ao longo do tempo junto ao seu rebanho de fiéis.
Com estas observações chegamos a questão primordial, da qual decorre não só o caso do fotógrafo, mas tudo que do ponto de vista administrativo, é pertinente e útil que saibamos. Considerado isto, vamos às indagações que me parecem justas e necessárias: Quem ou quais instituições efetivamente administram o “Complexo Turístico de Santa Rita? Há uma concessão legal? O documento legitimador da administração do Complexo foi aprovado pela Câmara Municipal? O que estabelece esta concessão quanto às questões de exploração comercial, manutenção do complexo, duração da concessão e prestação de contas? Ou seja, quais os direitos e deveres do concessionário? Ou mais simplesmente, o que pode e o que não pode ser feito do ponto de vista legal, no Alto de Santa Rita?
É imperativo que a Igreja e a Prefeitura esclareçam o mais rápido possível estas questões, sob pena de que fatos como o do fotógrafo possam vir a se repetir, causando constrangimentos desnecessários aos nossos conterrâneos, aos visitantes, ou mesmo às instituições envolvidas, que são falíveis como todos nós. O Alto é patrimônio de todos e a todos deve bem servir.
(Se eu pudesse, iria à noite contemplar lá do alto, a minha cidade cá embaixo, toda iluminada; se me fosse permitido, tomaria uma taça de vinho ouvindo uma sonata de Johann Sebastian Bach ou mesmo um cântico gregoriano; mas como isso ainda não é possível, pacientemente espero!)
Marcos Cavalcanti
sexta-feira, 6 de maio de 2011
DO ALTO AO AUTO, ARAUTO DE ALGUMA ESPERANÇA

DO ALTO AO AUTO, ARAUTO DE ALGUMA ESPERANÇA
Salto de blog em blog e não encontro nenhuma resposta, nenhuma explicação concreta para a não realização do Auto de Santa Rita de Cássia, cujas duas edições, custando cada uma, mais de R$ 200 mil reais, eu e muitas outras pessoas fomos assistir no pátio da matriz.
No blog da paróquia, a prioridade das matérias recaem sobre a recente beatificação do Papa João Paulo II. A postagem do dia 30 de abril apresenta a programação religiosa e cultural da festa da Padroeira, mas de apresentação teatral, encontramos apenas O Mágico de Oz e nenhum comentário sobre as razões da ausência do auto de Santa Rita na programação deste ano de 2011.
No Blog da Voz Amiga, do secretário de cultura Iranilson Silva, nenhuma nota a respeito, assim como no site da Prefeitura Municipal, na parte reservada à pasta de Cultura, o silêncio sobre o tema permanece. Como silenciosa está também a formação do Conselho Municipal de Cultura, há tantos anos reivindicada e que vem sendo de data em data, protelada.
Uma visitinha ao site da Fundação José Augusto e descubro que este se encontra parado no tempo e no espaço, sem qualquer atualização desde a posse da atual gestão, quanto mais um menção ao Auto de Santa Rita. Será o impossível?
Nos demais blogs, especulações de uns, desânimo de outros, e a responsabilidade quase posta no colo das novas gestoras da Casa de Cultura, o que seria obviamente uma grade injustiça para com as duas. Ora, se o governo do estado, através da FJA não tem condições financeiras de bancar o auto, por que razão não diz claramente? Por que não apresentou uma proposta mais viável? A mim, sempre me pareceu um absurdo o valor gasto com o auto. Note-se que as duas edições, que ao todo duraram 4 dias de apresentações, consumiram a soma de mais de 4oo mil reais, ou seja, quase 10% do que custou todo o santuário, chamado também de alto, só que com L. Será que algum blogueiro de nossa cidade ou da região tem acesso à nova gestora da cultura estadual, a senhora Izaura Rosado, para corajosamente indagar-lhe uma resposta oficial sobre o caso? Quais foram as ações conjuntas, refiro-me à Prefeitura Municipal (Secretaria de Turismo e de Cultura) e à Paróquia local para viabilizar a terceira edição do auto, já que nos anos anteriores a propaganda alardeava com pompas e circunstâncias que o auto já estava consolidado como uma tradição de nossa festa maior? A tradição sofrerá solução de continuidade, por quê? Inaugurar-se-á uma nova tradição de realização do auto em outra data? Quem pode responder esta questão? A acessória de imprensa da prefeitura, tão ágil em explicar a destruição de uma ou duas algarobas, das várias já destruídas em nossa cidade, teria a resposta?
Então, para além dos que são religiosos, sejamos um pouco racionais. O Auto de Santa Rita embeleza a programação da festa? Não só embeleza, como emociona, como instrui, como atrai o turismo, forma atores e público espectador. Portanto, se justifica, claro! Mas a que custo? Novos R$ 200 mil reais? E onde é que está todo o figurino comprado e utilizado nos dois autos anteriores? Tem sempre que renovar o guarda-roupa de um ano para o outro? O texto não é o mesmo e já não estão todas as vozes dos personagens, devidamente gravadas? E os adereços utilizados nos cenários, desapareceram? O palco e o sistema de som têm que custar tão caro? O grupo de atores, a maioria deles de nossa terra, já não tem um considerável know-how acumulado? Tenho certeza de que sim. Toda a parte musical também já não está composta? E se não estivesse, estou certo de que o maestro Camilo a comporia por muito menos do que foi gasto nas outras edições. E na urgência, como alternativa, ainda teríamos a utilização da música sacra de domínio público, sem falar na Banda de Música ou no coral de Santa Rita para acompanhamento e apoteose final do espetáculo.
Por tudo isso, não entendo a interrupção; não encontro as respostas oficiais, e penso, como acima expus, que não seria uma causa impossível fazê-lo de uma outra maneira, de forma mais econômica e inteligente, contando sobretudo com a solidariedade do povo santacruzense, tão fervoroso em sua fé.
Santa Cruz-RN, 03-05-2011.
Marcos Cavalcanti
FONTE: http://wsantacruz.com.br/2011/05/05/de-marcos-cavalcanti-do-alto-ao-auto-arauto-de-alguma-esperanca/